Megaoperação retira 107 crianças e adolescentes do trabalho infantil em fábricas de calçados em Minas Gerais
Operação contou com a participação de procurador do MPT
Brasília (DF) - Uma megaoperação, realizada nas cidades de Nova Serrana e Perdigão, em Minas Gerais, afastou 107 crianças e adolescentes de situações de trabalho infantil. A ação, realizada entre os dias 22 e 26 de setembro, foi conduzida pelo Grupo Especial Móvel de Fiscalização do Trabalho Infantil (GMTI), da Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com o apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT) e Polícia Federal.

A coordenadora da operação, a auditora-fiscal Paula Neves, destacou que eles(as) estavam expostos(as) a produtos químicos e solventes, utilizados na montagem dos calçados. "Essas atividades representam graves riscos à saúde e ao desenvolvimento físico e mental de pessoas menores de 18 anos", alertou.
Em um dos locais, uma menina de 11 anos foi encontrada separando peças de calçados em ambiente com forte odor de cola e vapores tóxicos. Em outro, um menino de 13 anos atuava há 15 dias em uma esteira ao lado de trabalhadores adultos que manipulavam produtos químicos.

Evasão escolar e riscos à saúde
A operação também revelou um alto índice de evasão escolar entre os adolescentes. Cerca de 23% dos resgatados não frequentavam a escola e 12% se recusaram a informar sua situação educacional. Muitos trabalhavam em dupla jornada, expostos a ruídos acima de 85 decibéis e a posturas exaustivas, o que contribui para o abandono dos estudos e o comprometimento da saúde.
Na análise por gênero, cerca de 63% dos trabalhadores infantis eram meninos e 27% meninas. Na análise por raça, 23 se identificaram como branco, 23 como negros, 46 como pardos e 15 não quiseram informar.
Medidas e encaminhamentos
Os auditores fiscais determinaram o afastamento imediato das crianças e adolescentes com menos de 16 anos do trabalho. Para os adolescentes com 16 e 17 anos, foi determinada a mudança da função a fim de que eles continuassem a trabalhar na empresa, mas em uma função, atividade e setor permitidos para sua faixa etária, sem prejuízos à sua saúde e ao seu desenvolvimento.
Todas as crianças e os adolescentes que tiveram seus contratos de trabalho rescindidos receberão dos empregadores o pagamento das verbas rescisórias devidas. Além disso, os empregadores onde foi constatada a ocorrência de trabalho infantil foram notificados e serão autuados pela Auditoria Fiscal do Trabalho.
Para assegurar a proteção integral de crianças e adolescentes e o não retorno desses ao trabalho infantil, as crianças e adolescentes identificados durante a Operação serão encaminhadas à rede de proteção à infância e à adolescência para inclusão em políticas públicas de proteção social, saúde e educação.
Compromisso do setor calçadista
Em reunião com nove empresas do setor calçadista autuadas, no dia 26.9, o Grupo Móvel e o MPT propuseram a assinatura de um Termo de Compromisso para incluir adolescentes egressos do trabalho infantil nos programas de aprendizagem profissional.
A reunião contou com a participação do procurador Raulino Maracajá; da coordenadora da operação, a auditora-fiscal Paula Neves; da coordenadora estadual de Fiscalização da Aprendizagem Profissional de Minas Gerais, Christiane Barros; e da representante do Senai de Nova Serrana, Alessandra Medeiros.
O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados (SITRICANS) e o Sindinova, que representa o setor patronal, foram convocados a produzir materiais educativos e promover ações de conscientização para prevenir novas ocorrências.
*Com informações da Secom do MTE
*Fotos: Raulino Maracajá
Fonte: PGT