Projeto abre oportunidades a jovens em situação de vulnerabilidade

Em parceria com MPT, o Projeto Transformando Realidades promove capacitação de adolescentes e jovens

Belo Horizonte (MG) – Cerca de 100 pessoas participaram do lançamento do Projeto "Transformando Realidades", no auditório da sede do Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais (MPT-MG), na sexta, 4/7. O projeto será um programa de aprendizagem profissional especial e será desenvolvido pela entidade qualificadora CENAP, em Belo Horizonte. O programa irá garantir acesso a contratos de trabalho de aprendizagem profissional com direitos trabalhistas assegurados. O objetivo é qualificar, por meio da teoria e da prática, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social, sobretudo pessoas transgênero e não binárias, promovendo inclusão, visibilidade e acesso ao mercado de trabalho, além de combater a discriminação.

"Queremos que seja um programa, de fato, inclusivo, diverso, para receber vocês de maneira adequada. Queremos construir algo melhor, fazer dar certo". Dirigida aos aprendizes presentes no lançamento do projeto, essa fala da procuradora do Trabalho Luciana Coutinho representa bem a intenção de todos os participantes do evento. Ela ainda relatou que ficou impactada com o resultado de uma recente pesquisa a que teve acesso, a qual apontou que 54% das pessoas transgêneros ou não binárias, possuíam graves queixas em relação ao ambiente de trabalho e 20% também relataram algum tipo de desconforto nesse sentido. Ou seja, uma minoria não passou ou passa por essas questões, o que a fez refletir sobre os desafios que são enfrentados diariamente.

Coutinho espera que "um dia a identificação de gênero e a orientação sexual não sejam questões para acesso ou manutenção do trabalho", inclusive, que no futuro "não seja preciso fomentar programas como esse". Ela ainda complementou que "um dia possamos chegar em um mundo realmente de diversidade e inclusão".

Outra autoridade presente no evento, a Desembargadora Adriana Goulart de Sena Orsini, gestora regional do Programa de Equidade de Raça, Gênero e Diversidade, do Tribunal Regional do Trabalho da 3.ª região, orientou os jovens aprendizes a "não acreditarem nas fake news sobre a CLT e sobre ser aprendiz como algo ruim", e que pelo contrário, "esses contratos são mediados pelo direito e quando algo é mediado pelo direito, tem normas, tem garantias, tem Constituição", diferente do que "eventualmente pode ser encontrado nas ruas sobre retorno financeiro rápido em determinado momento". Ela ainda falou aos jovens sobre a importância da autodeterminação, "que possam decidir por vocês o que queiram fazer e o caminho que vão trilhar", desejando que "esse momento de aprendizagem possa colaborar para isso".

Contemplada dentre os 30 adolescentes participantes do Transformando Realidades, Mariana Oliveira, acredita que "esse projeto do MPT junto com o CENAP vai mudar muito minha carreira, vai me abrir portas e vai ser algo incrível para mim. Vai ser algo incrível, porque eu nunca participei de coisas assim, grandes assim". Ela ainda complementou, "vai mudar minha realidade também, por causa que eu não vim de uma família fácil".

Já Aila Vitória, outra jovem contemplada pelo Transformando Realidade, avaliou que o projeto "vai me ajudar a ser uma pessoa melhor, priorizar os meus sonhos, ser quem eu sou, sem discriminação nenhuma pelo que eu sou. Ser trans não é fácil no Brasil, nem no lugar como a gente está hoje, porque muitas empresas discriminam a gente". Ela continuou, "para mim é uma grande oportunidade, abrir portas não só para mim, mas para outras pessoas também". E concluiu, "enfim, chegou nosso momento de brilhar, nossas meninas trans, homens trans, aproveitem"!

Além dos jovens que integram o projeto, representantes de diversas instituições participaram do evento, como do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª região, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, do Ministério Público de Minas Gerais, da Universidade do Estado de Minas Gerais, da Prefeitura de Belo Horizonte e do Coletivo Mães pela Liberdade/MG. Todos eles destacaram a importância de implementar políticas públicas que possam, para além de preparar para o mercado de trabalho esses jovens, em situação de vulnerabilidade social, proporcionar visibilidade, reconhecimento, oportunidades e garantir a efetivação dos respectivos direitos.

O projeto, que faz parte de uma política afirmativa para promover a igualdade de oportunidades, é custeado com recursos de destinação social revertidos pelo MPT-MG.

 

Comitê Regional de Equidade e Diversidade da PRT 3

O evento foi promovido pelo Comitê Regional de Equidade e Diversidade da Procuradoria Regional do Trabalho de Minas Gerais (PRT 3), o qual é presidido pela procuradora-regional do Trabalho Lutiana Nacur Lorentz, que também esteve presente, assim como a procuradora do Trabalho Fernanda Brito Pereira, vice-procuradora-chefe da PRT 3, representando a Administração da PRT 3.

O referido comitê é composto ainda pela procuradora-regional do Trabalho Luciana Marques Coutinho, pelo procurador do Trabalho Tulio Mota Alvarenga, bem como pelas servidoras Aline Ruas Rabelo, Ana Paula de Ávila Pinto e Erica das Neves França.

 

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