Escravo, nem pensar! Projeto capacita educadores em BH

Atuação do MPT foi apresentada aos participantes na manhã desta terça-feira, 3

Teve início nesta terça-feira, em Belo Horizonte, o 1º Encontro Formativo do projeto Escravo nem Pensar. O projeto é voltado para profissionais da educação e tem por objetivo capacitar esse público para abordar o tema trabalho escravo em sala de aula. Cerca de 30 coordenadores educacionais que atuam em cidades de Minas Gerais, onde os índices de trabalho escravo são expressivos, estão participando. Clique aqui  e confira a programação do evento. 

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Audiência pública: MPT quer ouvir sociedade sobre dificuldades dos doentes hematológicos

Interessados em participar como expositores podem inscrever-se até 31 de agosto

A partir de relatos da sociedade, o Ministério Público do Trabalho (MPT) pretende conhecer as dificuldades enfrentadas por pessoas que sofrem com doenças hematológicas, especialmente anemia falciforme, talassemia e hemofilia, para serem inseridos ou permanecerem no mercado de trabalho. Com o intuito de se aproximar dessa realidade, o MPT quer ouvir, em audiência pública, profissionais, representantes de entidades públicas e privadas, além de cidadãos com experiência na defesa dos direitos de pessoas com enfermidades hematológicas. Consulte o edital e saiba como participar.

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Ação civil pública do MPT condena mineradora a pagar multa de R$ 2 milhões

Empresa e prestadoras de serviços eram responsáveis por uma série de irregularidades, segundo testemunhas

A Anglo American foi condenada ao pagamento de uma indenização de R$ 2 milhões por dano moral coletivo. A sentença, proferida pela 30ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte, acata um pedido de tutela antecipa em uma ação civil pública (ACP) do Ministério Público do Trabalho (MPT). A empresa é investigada por diversas irregularidades praticadas contra empregados terceirizados e aqueles contratados diretamente pela ré.

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Atuação dos órgãos que integram a rede de proteção da infância e adolescência foi assunto no segundo dia de atividades da Oficina do Projeto Resgate a Infância em BH

No segundo dia, a procuradora do Trabalho Luciana Coutinho abriu as atividades destacando que o trabalho infantil ainda permanece, apesar das diversas mobilizações sociais existentes para que as leis sejam cumpridas. Em seguida abordou os principais mitos e verdades sobre o assunto. A procuradora destacou que muitas vezes este trabalho é uma inversão dos papeis, já que colocam nas crianças a responsabilidade de prover e sustentar a família: "Se a família não tem condição ela tem que ser alvo de assistência de Estado. A resposta não deve ser o trabalho infantil", afirmou Luciana. Veja a galeria de fotos do evento

Outro mito destacado pela procuradora é que "o trabalho infantil não mata". "Mata sim! Tira pedaço, mutila, incapacita", enfatizou Luciana, ao citar que nos últimos 10 anos, foram 24.654 acidentes graves com crianças e adolescentes e 230 vítimas de acidentes fatais somente no Brasil.

O médico do trabalho, Gustavo Veloso, iniciou sua palestra com a descrição dos riscos, para a saúde e segurança, típicos do meio ambiente de trabalho. Destacou que "a criança ou adolescente não é um adulto em miniatura", portanto é mais vulnerável aos efeitos nocivos de agendes de riscos ocupacionais, que podem ser de natureza biológica, social ou afetivo-emocional.

Dentre os riscos biológicos podem ser destacadas as consequências negativas para o metabolismo, a imunidade, o desenvolvimento de órgãos e sentidos.

A juíza Lívia Borba ao falar sobre o sistema de garantia de direitos, explicou que "é necessária uma gestão eficiente para "puxar" o debate da política pública, que não é espontânea, mas funciona quando é colocada. Relatou a experiência concreta, no Município de Ribeirão das Neves, onde foi criado um Fórum da Criança e do Adolescente que hoje "trabalha com metas específicas, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e temporais, além de buscar resultados". Como resultado, foi reformulado o Conselho Municipal dos Direitos dos adolescentes, que passou a atuar efetivamente e contar com a valorização da comunidade. "É uma caminhada e não é fácil" concluiu.

A representante do Fectipa, Elvira Cosendey, enfatizou que "não basta retirar os jovens do trabalho e não ter para onde encaminhar" explica. De acordo com ela, a sociedade, os órgãos públicos e principalmente as escolas precisam se unir e cobrar a aprovação de propostas no legislativo, a inclusão de demandas urgentes nos orçamentos dos municípios, construir espaços de defesa que congreguem todas as violações do Município.

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Como abordar o trabalho infantil em sala de aula foi um dos assuntos do primeiro dia de oficina sobre o trabalho infantil em Belo Horizonte

Na abertura das atividades, a procuradora-chefe do MPT em Minas, Adriana Souza, classificou de alarmantes os dados referentes ao trabalho infantil, nos últimos dez anos: "685 crianças foram resgatadas em condições de trabalho análogo ao de escravo no Brasil, sendo que 236 foram a óbito. Nós temos a obrigação e o dever de enfrentar essa luta e extirpar os mitos que o envolvem. Este evento vai trazer reflexões de como fazer isso dentro do ambiente escolar, e vocês são convidados a serem nossos parceiros nessa jornada de mudança cultural". Veja a galeria de fotos do evento.

O vice-presidente da ANPT, Helder Amorim, falou da relação entre o trabalho infantil e as desigualdades sociais existentes no país. "Todos os maus tratos, a exemplo do trabalho infantil, estão relacionados à desigualdade social, por haver uma relação direta com a história da escravidão. Por isso é lançado um desafio para nós - como sociedade - de vencer esse traço de naturalizar as desigualdades sociais existentes".

A gerente nacional do Projeto falou da necessidade de se erradicar as piores formas de trabalho infantil. "Estudos revelam que 92% dos adultos encontrados em situação análoga à de escravo, também trabalhavam quando crianças. O aliciamento de crianças e adolescentes para o crime, para o tráfico de drogas e até para abusos sexuais está diretamente ligado ao trabalho infantil", disse Jailda Eulídia ao enfatizar a necessidade de se denunciar tais situações e de usar a educação como uma ferramenta de combate ao trabalho infantil.

Toda a legislação que disciplina a proteção de crianças e adolescentes, bem como regulamenta o trabalho protegido foram assuntos tratados pela vice-procuradora-chefe do MPT em Minas, Fernanda Brito Pereira. Dentre outras informações ela explicou as proibições por faixa etária: qualquer forma de trabalho é proibida até os 14 anos de idade. Essa proibição não inclui afazeres domésticos, típico da rotina familiar. Entre 14 e 15 anos o adolescente pode trabalhar exclusivamente como aprendiz. Dos 16 aos 17 anos é permitido o trabalho, desde que não envolva atividade perigosa, noturna ou insalubre.

A promotora de Justiça Carla Maria Lafetá, que participou do painel "Trabalho Precoce e a Escola", comentou sobre a importância de a escola ter um olhar especial para o aluno, quando percebe que ele começa a perder o vínculo: "a "rua" chama e o professor tem um papel preponderante nesse momento. Para a criança querer estar na escola, tem que acreditar que aquilo será benéfico para ela". Afirmou ainda que é preciso olhar com muita seriedade para a questão da alfabetização, destacando que os alunos que não aprenderam a ler e escrever, acabam indo para as piores formas de trabalho existentes. "Temos que unir escolas, instituições e sociedade civil, para esse bem comum. Temos que ter força e coragem para essa luta e, principalmente, conhecer e utilizar a Rede de proteção existente, para promover o efetivo resgate do trabalho infantil", enfatizou a juíza.

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