Empresas recebem alerta sobre trabalho escravo na construção civil

quarta-feira, 7 agosto 2013,12:19

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O procurador-chefe do MPT em Minas, Helder Amorim, abriu os trabalhos da audiência na manhã de hoje

Um total de 143 construtoras que operam na região metropolitana de Belo Horizonte foram alertadas  sobre a crescente incidência de trabalho análogo ao de escravo no setor da construção civil, durante duas audiências realizadas ontem e hoje no Ministério Público do Trabalho.

Além de assistirem a palestras de esclarecimento e orientação sobre o tema, as empresas convocadas apresentaram documentação solicitada pela fiscalização do trabalho. Em seguida receberam uma notificação preventiva da Superintendência Regional do Trabalho. O documento elenca as condições necessárias de saúde e segurança que devem ser adotadas em canteiros de obras e alojamentos, conforme prevê a Orientação Normativa nº 18, do Ministério do Trabalho e Emprego.

A Notificação Preventiva foi afixada no livro de inspeção fiscal das empresas

De acordo com o coordenador do Grupo de Combate ao Trabalho Degradante Urbano da SRTE, Marcelo Campos, todas as construtoras com mais de 80 empregados que possuem obras na região metropolitana de Belo Horizonte foram convocadas para as audiências que tem caráter fiscalizatório e orientativo. Essa iniciativa interinstitucional conta com a participação de membros do Ministério Público do Trabalho e do Federal, da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego e do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da Secretaria de Estado de Defesa Social.

A procuradora do Trabalho Adriana Souza foi enfática ao ressaltar que a construtora tem responsabilidade civil e trabalhista em relação a todo trabalhador que estiver em seu canteiro de obras, seja contratado diretamente ou terceirizado: “É a sua empresa que ao final afere lucro com a exploração daquele trabalhador, então a responsabilidade ao final será sua”. Segundo Adriana, as audiências de ontem e hoje são alertas de que as instituições estão recrudescendo nesta fiscalização. “Não queremos que o problema trabalhista se transforme em problemas penais e especialmente sociais”, disse a procuradora.

Durante as palestras os empresários foram informados sobre as práticas que caracterizam o trabalho escravo contemporâneo. “Jornada exaustiva, trabalho forçado, trabalho degradante e servidão por dívida são os quatro requisitos atualmente previstos no artigo 149 do Código Penal, que agora nos permite identificar com clareza e punir os que adotam tais práticas”, alertou Marcelo Campos.

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Outro aspecto que tem gerado muitas denúncias em Belo Horizonte é a contratação de trabalhadores em outros estados, que deve obedecer três procedimentos prévios, sem os quais fica caracterizado o crime de tráfico de pessoas: Assinatura do contrato e da carteira de trabalho na cidade de origem e comunicação ao Ministério do Trabalho e Emprego local. A representante da Secretaria de Estado de Defesa Social, Ariane Gontijo, descreveu os três elementos que caracterizam o tráfico de pessoas: a promessa, o meio e a finalidade. “O tráfico de pessoas é tido como um crime de consentimento irrelevante, ou seja, o fato de a vítima dizer que aceitou as condições não isenta o explorador das penas”, salientou Ariane.

Na mesma linha, o procurador regional dos direitos do cidadão (substituto), Helder Magno da Silva, combateu o argumento, sempre levantado, de que o trabalhador já vivia em situação precária. “No processo criminal não nos focamos no que o trabalhador vai dizer. A testemunha principal é o fiscal do trabalho. A Justiça também não tem analisado nessa ótica, ou seja, esse discurso não cola”. Helder Silva citou os diversos crimes que um empregador pode incorrer quando descumpre a legislação do trabalho.

 

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Trabalho escravo na construção civil

terça-feira, 6 agosto 2013,13:49

Setenta e duas construtoras que operam na região metropolitana de Belo Horizonte enviaram representantes para a audiência pública realizada, na manhã desta terça-feira (6), aqui no Ministério Público do Trabalho. Mais de 100 pessoas estiveram presentes.

Seis auditores fiscais do Trabalho conferiram e recolheram a documentação apresentada pela empresas a pedido da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego. Em seguida, cada representante de empresa recebeu uma notíficação preventiva. O documento orienta sobre a obrigatoriedade do cumprimento de requisitos de saúde de segurança elencados na Norma Regulamentadora nº 18 do Ministério do Trabalho e Emprego.

Para os canteiros de obras são exigidas instalações sanitárias, vestiários, local de refeição e ambulatório. Havendo trabalhadores em alojamento, a empresa também deve oferecer instalações. Tudo em conformidade com a NR18. Nesta quarta-feira, 7, a segunda audiência vai reunir outras empresas do setor.

 

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Empresa de nutrição se compromete a contratar pessoas com deficiência

quarta-feira, 17 julho 2013,13:19

 
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A empresa Nutrição Refeições Industriais LTDA, de Belo Horizonte, se comprometeu  a preencher, no prazo máximo de um ano, 2% do seu quadro de funcionários com beneficiários da Previdência Social reabilitados ou pessoas com deficiência (PCDs) habilitadas.

O acordo firmado com o Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais, na última segunda-feira, 15, tem por objetivo regularizar as contratações de PCDs, uma vez que do total de 130 funcionários, não há registros de nenhum com deficiência, em desacordo com o art. 93, da Lei nº 8213/91, que estipula a contratação de 2% a 5% de PCDs por empresas que tenham 100 ou mais empregados.

Além de ter que adaptar o ambiente de trabalho para que as pessoas com deficiência tenham como desempenhar suas funções, a Nutrição Refeições Industriais deverá promover palestras aos seus funcionários, na ocasião das admissões. “O objetivo desta obrigação é que a empresa esclareça sobre o melhor modo de lidar com cada tipo de deficiência e também que os outros empregados e a própria empresa saibam não só respeitar, mas também valorizar a diversidade”, esclarece a procuradora do Trabalho Lutiana Nacur Lorentz.

Para facilitar o cumprimento do termo de ajustamento de conduta assinado, a  empresa pode solicitar listagem de pessoas reabilitadas ao INSS e de pessoas com deficiência habilitados à Coordenação de Apoio e Assistência à Pessoa Deficiente do Estado de Minas Gerais (CAADE). A empresa poderá ainda consultar o banco de dados do MPT ou da Secretária Regional do Trabalho e Emprego.Se descumprir o acordo, a empresa pagará multa de R$ 1 mil a cada vaga de cota não preenchida.

 

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Acidente com motociclistas é uma questão social

sexta-feira, 12 julho 2013,11:28

Questões econômicas, sociais e culturais estão por trás dos acidentes com motos; remuneração por produção é um dos fatores que contribuem para o aumento das estatísticas

As consequências sociais e os impactos econômicos de acidentes envolvendo motociclistas foram assuntos da audiência pública, realizada nesta quinta-feira, 11, no Ministério Público do Trabalho em Belo Horizonte. Especialistas em mobilidade urbana, representantes de instituições de saúde da capital, de empresas e entidades ligadas à profissão de motociclistas apresentaram múltiplas visões do tema. Cerca de 40 pessoas participaram da audiência.

Para procurador do Trabalho, Antônio Carlos de Oliveira, presidente da mesa, “a remuneração por produção instiga o profissional a prolongar a jornada e a imprimir ritmo acelerado na locomoção, uma mistura perigosa que pode terminar em acidentes graves ou fatais. ”

A cobrança por produtividade também preocupa o médico e auditor fiscal do Trabalho, Mario Parreiras: “É uma variável que está presente em todos os casos de acidentes de trabalho”. Para o médico, o aumento dos índices de doenças ocupacionais de cunho psicológico como o estresse e a depressão, também está relacionado com a presença desse fator.

Além do fator econômico, que associa o prazo curto de entrega à maior lucratividade das empresas, fatores sociais e culturais também foram lembrados. Para o pesquisador da Fundacentro, Eugenio Pacelli, os acidentes com motos não devem ser vistos de forma isolada, uma vez que os governos e a sociedade como um todo são responsáveis pela infraestrutura precária e pela falta de educação no trânsito.

Campanhas educativas voltadas para o estímulo à prevenção foram destacadas pela representante da secretaria municipal de saúde e superintendente do Hospital Municipal Odilon Behrens, Patrícia Martins, como indispensáveis para reduzir a violência no trânsito: “Melhorar vias não tem impacto sem a promoção da educação no trânsito”.

Antonio Carlos Pereira encerrou a audiência chamando as empresas ao cumprimento da legislação vigente. Ele propôs um termo de ajustamento de conduta fundamentado especialmente na Lei nº 12.009/2009, importante marco na regulamentação do ofício dos motofretistas, e na Lei nº 12 436/2011, que proíbe as empresas de estabelecer práticas para estimular o aumento da velocidade de entrega.

Dados preocupantes:

Só no primeiro semestre deste ano, o Hospital João XXIII, registrou mais de 3500 atendimentos a motociclistas acidentados, uma média de 20 por dia. “Infelizmente, não existe estatística que englobe exclusivamente acidentes com motociclistas profissionais, mas estima-se que este número esteja entre 15 a 25% dos acidentes com moto”, salientou Eugênio Pacelli.

O pesquisador, que analisa dados do Samu e da Polícia Militar do estado, de 2007 a 2011, constatou 226 mortes no período, sendo as Avenidas Cristiano Machado, Amazonas, Pedro II, Tereza Cristina e Vilarinho as que possuem mais ocorrências.

Outro dado preocupante é a informalidade. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Motociclistas e Ciclistas de Minas Gerais, Rogério dos Santos Lara, cerca de 30 mil profissionais estão em atividade na capital mineira. Por outro lado, existem apenas 3.160 motofretistas licenciados, segundo dados da Gerência de Coordenação de Trânsito do Órgão, conforme regulamenta a Lei Municipal n. 10.220/2011. “A informalidade potencializa a precarização das condições de trabalho, levando a acidentes, danos físicos e custeio pelo sistema de saúde pública”, enfatizou o presidente.

O alto índice de acidentes com motociclistas também onera a saúde pública, com gastos que incidem sob o tempo de internação, tratamento e verbas que remuneram o tempo de afastamento ou aposentadoria, como a Previdência Social.

 

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Campanha contra trabalho infantil é intensificada em BH

quinta-feira, 11 julho 2013,13:45

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Os anúncios serão veiculados em ônibus, jornal e TV

A campanha educativa contra o trabalho infantil nas ruas, produzida pelo Ministério Público do Trabalho, será veiculada em 50 ônibus, TV e jornal de Belo Horizonte, de julho a outubro, com verbas de multas relativas a procedimentos conduzidos pelos procuradores Luciana Coutinho e Geraldo Emediato de Souza.

O procurador do Trabalho Geraldo Emediato de Souza destinou R$ 150 mil para o custeio de três anúncios de uma página no jornal Hoje em Dia e cinco inserções de 30 segundos na Rede Record, durante o programa Balanço Geral. O acordo no caso da Ediminas foi assinado esta semana e os anúncios serão veiculados nas edições de 21 de julho, 03 e 14 de agosto. Na TV Record a campanha será exibida nos dias 19 e 23 de julho e 1º, 07 e 13 de agosto.

Cinquenta ônibus que circulam por Belo Horizonte vão exibir os quatro anúncios da campanha, no período de julho a outubro. O acordo, homologado hoje pela Justiça do Trabalho, foi proposto pela procuradora Luciana Coutinho à empresa Viação Santa Edwiges Ltda. Serão destinados R$ 35 mil para produção e veiculação dos anúncios em 20 ônibus de Belo Horizonte, por um mês. Uma parte desta verba também será usada para produzir anúncios para outros 30 ônibus que serão veiculados sem custo, com o apoio da BHTrans.

Os anúncios em TV, jornal e ônibus vão reforçar a divulgação que já vem sendo feita em rádios de Belo Horizonte e interior, desde o mês de junho, em atendimento a pedidos de apoio apresentados pela Assessoria de Comunicação da Regional. Cerca de 15 emissoras da capital e interior estão veiculando os três spots da campanha.

 

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