Mais Médicos foi tema de colóquio

segunda-feira, 11 novembro 2013,11:32

Os aspectos jurídicos e políticos do Programa Mais Médico (PMM) foram abordados nesta quarta-feira, 06, em um colóquio realizado na Universidade Fumec. Coordenado e mediado pela procuradora do Trabalho e docente da Fumec, Lutiana Nacur Lorentz. O evento reuniu cerca de 300 participantes, que acompanharam as críticas dos palestrantes sobre vários aspectos da Lei nº 12.871, de 22 de outubro de 2013, que regulamenta o programa.

“Conseguir acompanhar a pulsação social, trazendo para o âmbito acadêmico discussões que estão em pauta na mídia e permeiam a sociedade é fundamental para a formação dos alunos. É uma forma de mostrar que há outras maneiras de abordar a questão, além de promover a interação entre os públicos presentes (professores, estudantes, pesquisadores)”, ponderou o reitor da Fumec, professor Eduardo Martins de Lima.

A procuradora destacou em sua fala a remuneração dos médicos em forma de bolsa, justificada pelo Governo brasileiro pelo formato educacional do PMM, que é comparado a uma residência médica. “A legislação não estabelece nem uma relação de vínculo empregatício, nem de natureza estatutária retirando do Governo o ônus da admissão pelas vias do concurso público e o pagamento de salários ou mesmo vencimentos, estes estrangeiros ficam em um verdadeiro “limbo jurídico” sem garantias nem do regime (privado – CLT), ou público (estatutário).

Dessa forma, os profissionais não são resguardados pelos direitos trabalhistas, além de ocuparem cargos do serviço público (Sistema Único de Saúde) sem a aprovação em concurso”, ressaltou Lutiana Lorentz. Os médicos inscritos recebem bolsa-formação no valor de R$ 10 mil para trabalhar na atenção básica, durante três anos. Apesar da lei usar o “nomem iuris” de “médicos intercambistas”, pagamento de “bolsas” etc. não se trata, por óbvio, de um programa de estudos, mas sim de um programa de trabalho, aliás, trabalho oneroso por conta alheia, assim as mesmas garantias dadas aos médicos brasileiros, devem ser dadas aos médicos estrangeiros, em atenção e respeito do art. 5, caput, CF/88, sob pena de quebra da fundamentalidade tanto vertical quanto horizontal dos direitos sociais constitucionais.

Outro problema apontado pela procuradora ao modelo do Mais Médicos é a terceirização do pagamento das bolsas. Um acordo firmado entre Brasil e Cuba, intermediado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), estipula a destinação do pagamento ao Governo cubano, que repassa entre 25% e 40% da verba da bolsa aos médicos e retém o restante. Os médicos cubanos representam 80% dos estrangeiros inscritos no programa.

Para a professora de Direito Internacional da Fumec, Luciana Diniz, o lançamento do PMM, ocorrido em 8 de julho, foi resultado das pressões políticas fruto das manifestações da população, que se intensificaram no país nos meses de julho e agosto. “Não há problemas em se estabelecer acordos de cooperação técnica com outros países, como aconteceu entre Brasil e Cuba, por meio do Opas, mas com os furos que a Lei traz, como é o caso da concessão de vistos temporários, por até seis anos, que poderá resultar em pedidos de asilo político e, até permanência ilegal no país”, enfatizou a docente. A não exigência da revalidação do diploma para os médicos intercambistas, contemplada pelo art. 16 da Lei 12871, também foi alvo de crítica dos palestrantes, uma vez que não haverá como comprovar o nível técnico dos candidatos, o que pode comprometer a qualidade dos atendimentos em saúde.

“O PMM também não resolve a carência médica, pois além dos inúmeros problemas no que se refere ao formato, ele desconsidera preceitos básicos da profissão, que é o vínculo e a comunicação entre médico e paciente, tão necessárias para um diagnóstico preciso”, afirmou o presidente do Conselho Regional de Medicina no estado, João Batista Gomes Soares. Segundo ele, há uma proporção de 6,6 médicos para cada 1.000 habitantes, sendo quase 17 mil profissionais em exercício em Belo Horizonte.

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TAC soluciona condição de trabalho análogo a de escravo em obra da Ambev

sexta-feira, 8 novembro 2013,9:58

Construtora se compromete a pagar indenização de mais de R$ 800 mil por dano moral, além de obrigações que combatem o trabalho escravo e regularizam o meio ambiente de trabalho

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Uberlândia – A Marco Projetos e Construções Ltda. concordou em pagar indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 500 mil, por ter mantido 21 trabalhadores em condições análogas a de escravo, além de se comprometer a pagar R$ 15 mil a cada trabalhador encontrado nessa situação, em um termo de ajustamento de conduta (TAC) firmado com o Ministério Público do Trabalho (MPT). O termo foi proposto pelo procurador do Trabalho Paulo Gonçalves Veloso.

O valor arrecadado será revertido em bens ou serviços para projetos sociais ou educacionais desenvolvidos por entidades beneficentes e instituições públicas. Os projetos e instituições beneficiados serão selecionados por meio de edital, que será divulgado em breve pelo MPT.

O acordo possui 28 cláusulas e prevê que a empresa adeque os seus alojamentos e instalações sanitárias, além de fornecer transporte e alimentação gratuitos a trabalhadores vindos de outras regiões. Obrigações relacionadas às condições de trabalho também foram contempladas pelo TAC tais como anotação em carteira, pagamento dos salários, limitação das horas-extras, registro de ponto, entre outros.

A contratação de prestadores de serviços e a extensão da assistência do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) às empresas contratadas são ainda regulamentados pelo TAC e devem ser observadas para regularizar as contratações de serviço. As multas por descumprimento das obrigações assumidas variam de R$ 3 a R$ 50 mil.

Uma fiscalização conjunta realizada pelo MPT, pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pela Polícia Militar, no dia 18 de outubro, deflagrou 21 trabalhadores da RRA Pisos Industriais Ltda., prestadora de serviços da Marco Projetos e Construções, em condições degradantes. Eles viviam em alojamentos precários, tinham a liberdade cerceada por vigilância armada e vários direitos trabalhistas violados. Esses trabalhadores laboravam em uma obra de construção de uma unidade da Ambev, em Uberlândia.

 

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Regional vai sediar ato público sobre assédio moral

quinta-feira, 7 novembro 2013,11:43

O ambiente bancário é o alvo de campanha nacional da Codemat em 2013

Um ato público de conscientização sobre o Assédio Moral em Ambientes Bancários deverá reunir cerca de 100 pessoas, no auditório aqui da Regional, na próxima quarta-feira, 13 de novembro. As atividades terão início às 14 horas, sob a coordenação da procuradora do Trabalho Silvia Bernardes, representante da Regional na Coordenadoria de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho – Coordigualdade.

Já estão confirmadas as presenças da Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Minas Gerais, dos bancos Safra, Mercantil e Brasil, Sindicalistas de Belo Horizonte e de outras regiões do estado como Varginha, Patos de Minas, Ipatinga, entre outros.

Após a abertura, que será feita pela procuradora-chefe do MPT em Minas, Júnia Soares Nader, serão ministradas três palestras. A juíza do Trabalho Martha Halfeld falará sobre o enfrentamento do tema na Justiça do Trabalho, a médica Margarida Barreto vai apresentar os reflexos na saúde das vítimas do assédio moral e a procuradora Silvia Bernardes encerra as apresentações falando sobre a atuação do MPT no combate ao assédio moral no ambiente de trabalho.

Além de produzir uma cartilha específica sobre o tema, intitulada “Assedio Moral em Ambientes Bancários“, a Coordigualdade estimulou a promoção de ações em todos os estados brasileiros, na semana de 21 a 25 de outubro.

Leia também:

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Multa é revertida para fins sociais

quarta-feira, 6 novembro 2013,10:21

Coronel Fabriciano – Seis instituições públicas e de assistência social, de quatro municípios mineiros (Ipatinga, Coronel Fabriciano, Bom Jesus do Galho e Santa Bárbara), receberão a destinação de verba de multa, proveniente de uma ação de execução movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em face da Anglogold Ahsanti Mineração Ltda., por descumprimento de sentença judicial.

Serão destinados quase R$ 300 mil para a construção e reforma de órgãos públicos, compra de equipamentos e de outros bens necessários ao desempenho das funções. A iniciativa vai beneficiar, diretamente, uma população aproximada de 400 mil habitantes.

“A execução do acordo demonstra que a fiscalização das obrigações assumidas é prioridade para o MPT, conferindo efetividade aos direitos sociais trabalhistas. Além disso, a destinação a instituições de caráter social atende às necessidades da sociedade”, afirma Rafael Salgado responsável pela ação.

O MPT moveu ação de execução após constatar que a Anglogold continuava prorrogando a jornada dos seus empregados, além das duas horas diárias permitidas por lei e, que a empresa não estava concedendo um intervalo mínimo de descanso de 11 horas consecutivas entre duas jornadas de trabalho, descumprindo assim o acordo judicial firmado. A sentença prevê de 60 a 120 para a quitação dos respectivos valores e, caso descumpra as obrigações assumidas, pagará multa de R$ 50 mil por constatação de irregularidade.

Conheça as instituições beneficiadas:

– 1ª Delegacia Regional de Ipatinga
– Fundação Comunitária Fabricianense
– Delegacia de Polícia Civil do Município de Bom Jesus do Galho
– Polícia Militar de Coronel Fabriciano
– Gerência Regional do Trabalho e Emprego de Ipatinga
– Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais

Número do procedimento: 00437-2009-102-03-00-4

 

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MPT apoia municípios para implantação do Projeto Frigoríficos

segunda-feira, 4 novembro 2013,10:45

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Uma audiência realizada na última quarta-feira, 23, na Sede do Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais, abordou planos de ação para adequar o meio ambiente de trabalho em frigoríficos, matadouros e abatedouros, nos 55 municípios mineiros, que assinaram termo de cooperação técnica com o MPT, durante as audiências públicas realizadas no interior do estado, de março a agosto de 2013.

“A iniciativa visa contemplar  os pequenos e médios municípios mineiros, haja vista que a legislação em vigor está mais voltada para viabilidade em municípios maiores”,destacou a procuradora do Trabalho Elaine Nassif, representante no estado da Coordenadoria de Defesa do Meio Ambiente de Trabalho.

Para o procurador do Trabalho Geraldo Emediato, que neste ano esteve em 73 abatedouros no estado, as fiscalizações visam conhecer as realidades dos estabelecimentos, de modo a propôr medidas que garantam mínimas condições de funcionamento. “Nossa preocupação são as condições trabalhistas, mas não podemos desconsiderar as questões sanitárias e ambientais, que interferem diretamente nas práticas de trabalho e saúde da população”, ressaltou Geraldo Emediato.

O encontro contou com representantes do Ministério do Trabalho e Emprego; do Instituto Mineiro de Agropecuária; da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio; do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação do Estado de Minas Gerais e da empresa Suporte, que presta consultoria para implantação de consórcios neste seguimento. O modelo consiste em associar prefeituras para a utilização de abatedouros instalados em um município pólo e, foi defendido pelos presentes como uma das soluções para regularizar o abate e a comercialização da carne no interior de Minas.

Os órgãos presentes expuseram as peculiaridades de atuação e se protificaram a se unir ao MPT para elaborar medidas que auxiliem os municípios a regularizar o meio ambiente de trabalho, de modo a evitar a instauração de procedimentos coercitivos. Foi agendada nova audiência para o dia 10 de dezembro, às 14 horas, para a qual serão convocados os municípios que firmaram o termo de cooperação e instituições parceiras.

 

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